Muitas pessoas acham que se trata de uma futilidade ter normas especificas para o gerenciamento de RSS em estabelecimentos de saúde. Outras também acabam se confundindo quanto a que legislação seguir. Por isso é bem relevante entender o contexto que motiva essa distinção.
Eu te convido a refletir um pouco sobre todos os procedimentos necessários para os cuidados de saúde. Desde a limpeza do paciente, administração de medicação, injeção de substâncias, exames… Como todas as outras, essas atividades produzem resíduos ao decorrer da sua execução. Resíduos perigosos e não perigosos.
Agora eu quero que você reflita sobre todas as atividades que acontecem dentro de um estabelecimento de saúde. Desde as principais às acessórias. Independente da especialidade do local, sempre vai ser necessária uma atividade administrativa.
Resíduos que despertaram a atenção para os RSS foram realmente os resíduos infectantes, pois estes tem uma repercussão mais rápida e direta quando gerenciados incorretamente. Percebeu-se que pessoas adoeciam quando eram expostas a certos resíduos gerados em hospitais e que, portanto, deveriam haver mais cuidados.
Eu comentei anteriormente sobre a grande complexidade do perfil de geração de resíduos em estabelecimentos de saúde, pois estes locais geram resíduos tanto com perfil administrativo (como qualquer outro escritório) como também resíduos contaminados com sangue, perfurocortantes… Toda essa complexidade dificultava muito no gerenciamento, que se traduzia em: medidas efetivas não eram adotadas.
Considerando tudo isso – e o grande problema de saúde pública gerado por RSS – a OMS estimulou a criação de diretrizes específicas para o gerenciamento de RSS. Não é só no Brasil que há essa diferenciação. Muitos – para não dizer todos – países ao redor do mundo adotaram esse mesmo comportamento.
A palavra de ordem no gerenciamento de RSS é separar os resíduos perigosos daqueles não perigosos e proteger as pessoas dos riscos associados aos primeiros. Tudo o que está ali na Anvisa, Conama ou outra regulamentações tem como objetivo auxiliar na proteção das pessoas. Quando um resíduo é classificado como X grupo, este deve seguir toda uma diretriz para seu manejo que foi elaborada por profissionais especialistas que entendiam sobre o problema de maneira macro e fizeram uma análise do que deve ser feito para proteger a saúde das pessoas com o menor custo ambiental/financeiro possível.
Muitas vezes nós ainda não compreendemos certas exigências, mas tudo o que está ali tem um embasamento técnico! E é por isso que é tão importante classificar direito, toda a orientação que está ali na Anvisa foi desenvolvida considerando que compreende os riscos associados com o resíduo e, consequentemente, a classificação destes!
Entendeu agora?