Gerenciamento de RSS no mundo – Dhaka, Bangladesh

No Blog Econosp de hoje, iremos estrear a nossa nova série de postagens falando um pouco mais do gerenciamento de RSS no mundo. A cada semana, iremos trazer um estudo de caso sobre os diversos tipos de gestão de resíduos de serviço de saúde espalhados pelo globo. Dando início a nossa série, vamos falar um pouco mais sobre como são tratados os resíduos hospitalares em Dhaka, capital de Bangladesh.


Todos os dados e referências usados para a escrita desse blog foram retirados do artigo “An illicit economy: Scavenging and recycling of medical waste” dos autores Patwary, O’hare e Sarker, publicado no Journal of Environmental Management.


Por causa do mau gerenciamento de RSS pelos estabelecimentos de saúde, atrelado a revenda ilegal desses materiais, muitos sujeitos ligados a reciclagem informal, reembalagem e revenda de lixo hospitalar acabam se aproveitando do descarte incorreto desses materiais, utilizando-os para a geração de renda financeira. Indivíduos se aproveitam para vasculhar resíduos descartados incorretamente para os hospitais antes que sejam recolhidos e levados para o lixão. Seringas, lâminas, facas, vidro, algodão, materiais plásticos e metais são alguns dos objetos mais procurados.


Esses materiais quando recolhidos e vendidos, podem passar por alguns procedimentos. Um dos procedimentos está ligado a reciclagem de produtos secundários, onde os recicladores usaram os resíduos como matéria-prima para a elaboração de produtos secundários. Por exemplo, o plástico foi derretido em um recipiente aberto sobre um queimador de querosene e vendido como matéria-prima para fabricantes de plásticos. Itens de metal também foram vendidos para comerciantes de sucata. Esse tipo de ação, com a utilização de itens potencialmente perigosos e infecciosos, gera riscos à saúde dos operadores, visto relatos de trauma na saúde desses recicladores.

Outro ponto é a reembalagem e revenda, onde itens foram “limpos”, reembalados e revendidos por meio de produtos farmacêuticos, lojas e clínicas. Essa limpeza é feita de forma muito superficial, visto que não há evidência de qualquer esterilização eficaz ou desinfecção. Medicamentos descartados ou vencidos eram repassados para os catadores que por sua vez vendiam para dispensários. Os dispensários comercializavam o medicamento para pacientes ofertando preços menores.

Foi possível observar nesse estudo que há muitos erros envolvendo riscos para a saúde humana relacionados a coleta do lixo hospitalar e ao processo de reciclagem. É nítido que há uma falta de conhecimento populacional, principalmente, dos catadores em relação a esses riscos relacionados com a exposição aos resíduos hospitalares.


Portanto, podemos concluir que os catadores e os agentes de reciclagem enfrentam riscos ocupacionais nítidos, mas que nem sempre são compreendidos. Os catadores envolvidos nesse caso, por muitas vezes, não estavam ali somente para a retirada de seu sustento, mas sim por outras motivações. A corrupção, nesses locais, também é um grande fator de influência para a alimentação dessa economia ilícita. Por fim, é importante ressaltar que promoção de uma economia de catadores mais regular, pode promover benefícios para os indivíduos envolvidos, assim como, reduzir o potencial de reciclagem inadequada de causar danos a comunidade.

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